Os números da Violência Obstétrica

Dados Estatísticos da violência Obstétrica no BrasilAinda que silenciosos, os números que acompanham a violência obstétrica são alarmantes. A pesquisa Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre o parto e nascimento com coordenação da Escola Nacional de Saúde Pública e Fiocruz é o primeiro registro nacional de base epidemiológica voltado ao parto e ao nascimento e tornou-se um estudo base para o monitoramento da Rede Cegonha. Neste estudo, 23.894 mulheres em 191 municípios de todos estados brasileiros foram acompanhadas durante seu pré-natal em 266 hospitais públicos, privados e mistos.

Os principais resultados desta pesquisa indicaram que 66% das mulheres preferiram o parto normal no inicio da gravidez; apenas 59% tiveram o seu direito previsto por Lei e foram orientadas sobre a maternidade de referência para internação do parto; e uma parcela significativa das maternidades não apresentou o conjunto completo de medicamentos e equipamento mínimos necessários ao atendimento da mãe e do bebê.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) são recomendados que no máximo 15% dos partos sejam cesarianas e boa parte dos países respeita esta porcentagem. Já no Brasil, líder do ranking na América Latina, este número chega a aproximadamente 56% em sua totalidade. Mas, se contarmos apenas as redes privadas, as cesáreas ultrapassam os 88%.

Esta “cultura da cesárea” que tem sido criada em nosso país desvaloriza um processo fisiológico e natural ao substituí-lo por um ato cirúrgico expondo a mãe e o bebê a riscos desnecessários. Para a mulher os riscos são complicações hemorrágicas, infecções e acidentes com as anestesias. Para o bebê, a cirurgia antecede seu nascimento natural aumentando os riscos de complicações respiratórias e até mesmo de sobrepeso e obesidade infantil e, quando adultos, de diabetes e hipertensão. Ainda segundo a pesquisa, apenas 26,6% dos recém-nascidos tiveram contato com a pele da mãe logo após seu nascimento e 40,9% das mães amamentou o bebê ainda em sua primeira hora de vida.

.Um dado muito conhecido pelos ativistas à favor do parto humanizado e do fim da violência obstétrica é o divulgado pela pesquisa “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado” feita pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o SESC de que uma em cada quatro mulheres no Brasil sofre violência.durante a gestação ou parto. Dentre as agressões indicadas na pesquisa estão o exame de toque de forma dolorosa; negar algum tipo de alívio para sua dor; gritar com a mulher; não informá-la de algum procedimento que está sendo feito em seu corpo; e amarrar a mulher tirando sua autonomia.

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